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sábado, abril 10, 2004

Perigo nas estradas


Em qualquer época festiva, há sempre um redobrar da atenção nacional para as estradas e, mais particularmente, para os condutores. Quando digo “atenção nacional”, não me refiro apenas à policia. Refiro-me a todos os portugueses que se lamentam pelas morte nas estradas e pela má condução dos “outros”.
Todos os anos é a mesma coisa. A comunicação social eleva-se aos céus, apontando o dedo aos maus condutores, o policia fala envergonhado para a televisão, a velhota em casa chora os mortos e o taxista “fogareiro” enraivece-se com tanta azelhice do condutor alheio. Contudo, os acidentes são os mesmos de ano para ano, as mortes também.

Como não quero ter a autoridade moral para criticar beltrano e sicrano, vou ficar-me com o relato de uma pequena conversa que tive hoje com um condutor muito suspeito:

- Vai sair hoje? – perguntou-me o taxista.
- Sim.
- Para o lugar do costume? – perguntou-me o homem com um sorriso.
Como a resposta foi afirmativa, o taxista começou logo a sua correria do costume. Passei cerca de metade da viagem sem falar. Estava cansado e, para além disso, nunca consigo conversar decentemente com o senhor. Para dizer a verdade, nunca sinto vontade de conversar com taxistas.
Mas, o dócil taxista lá tentou quebrar a monotonia:
- Parece impossível. Os portugueses não sabem conduzir e, os que sabem, devem ter muito azar.
- Porquê?- perguntei com um bocejo involuntário.
- Veja bem o que aconteceu a um amigo meu... Ele ia a entrar na sua aldeia... Estava mesmo a chegar a casa. Então não é que o carro sai da estrada e começa às cambalhotas pelos batatais.
Eu, espantado com a história que tinha acabado de ouvir, desabafei ingenuamente:
- Calculo que o seu colega goste de andar depressa...
- Por acaso até gosta. Mas...Não foi por causa disso; o Zé ia a 150 k/h mas aquilo foi azar.
Nem queria acreditar naquilo que acabara de ouvir:
- O senhor só pode estar a brincar. Ninguém entra numa aldeia a essa velocidade.
- Não, meu caro jovem. No caso dele, o problema foi uma pequena distracção. É como se diz, “ um pequeno descuido e é a morte do artista.”

Não quis dizer nem mais uma palavra até chegar ao meu destino.

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