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terça-feira, abril 27, 2004

Menina e Moça

A Chiclete é uma jovem universitária que pretende ser diplomata. Os ideais da jovem rapariga passam, simplesmente, por fazer com que acabem as guerras no mundo. Pode parecer simplista, mas é o sonho que ela quer realizar. Porém, para além de ideias vagas, a ninfóide possui um trunfo que arrasa com toda a concorrência da sua turma: uma simples pastilha. Até já estou a imaginar o seu tartamudo professor de inglês, daqui a uns decénios, contar aos netos: "Lá vai a maior mascadora de pastilhas de todo o planeta. Ainda me lembro de vêr aquela boca aberta, aqueles ruídos lânguidos vindos de uma lingua espessa de saliva. Aquelas apresentações de inglês. Olhem, nunca mais vi alguém igual...".
À pastilha junta-se um dos seus traços mais característicos, a humildade. Humildade essa que deve ser partilhada pelo resto dos seus amigos. Pelo menos, foi o que me deu a parecer quando a imberbe exclamou, numa tarde radiante de voluptuosidade, "eu não percebo muito de política, mas o Durão é ladrão". Que expressão inesquecível. Ainda hoje me sabe a mentol. Ainda hoje ouço aqueles maxilares baterem um no outro compulsivamente (à distância do tempo, não me lembro se eram os maxilares da jovem que batiam, se eram os seus amigos que davam gargalhadas de ignorância, ou se era a minha visceralgia que me roubava segundos de raciocínio).
O que é certo é que nunca mais a discussão sobre o aborto foi a mesma. Nunca mais o mundo será o mesmo, desde que as palavras fluiram ao ritmo da pastilha.

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