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quinta-feira, abril 01, 2004

Cartas I

O silêncio de uma voz que se calou faz-te padecer. Levantas-te. Tentas observar o mundo que te rodeia. Não consegues. Parece-te tudo tão mais complexo que os olhares que os dipsomaníacos te deitam. Mesmo assim, começas uma correria obstinada contra o tempo que te fugiu.
Caminhas a passos largos pelas ruas vazias. Contudo, aquela sombra de sempre continua lá, a vaguear, como se esperasse pela tua respiração ofegante. Finges não te incomodar com a presença dela. Procuras evitá-la. Não consegues. Ela está em todo o lado. Em todas as esquinas, nas folhas de jornal que voam com o vento, no teu pensamento... Mesmo assim, não deixas de caminhar. Tens vontade, mas não deixas. Os minutos vão se sobrepondo um ao outro e o teu inferno ainda te é distante.

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