<$BlogRSDUrl$>

sábado, fevereiro 21, 2004

O véu...

Devido a algumas decisões políticas controversas na França, a questão do véu veio de novo parar ao debate público.
No dia 3 de Fevereiro, Pedro Mexia (uma pessoa que eu muito admiro) escrevia no "DN": "o véu islâmico não é apenas um "sinal religioso", é também uma forma de ocultaçãoda identidade, sendo por isso um ponto problemático em termos de segurança. Assim, é perfeitamente possível ter uma atitude de recusa face ao uso do véu no Ocidente, por motivos muito diferentes dos religiosos. Além do mais, o véu, com a sua (por vezes) duvidosa dimensão voluntária, parece configurar um dos elementos de opressão das mulheres islâmicas (...)". Porém, não me interessa continuar a copiar o resto do artigo, já que não me interessa agora fazer referências às raízes violentamente irreligiosas dos franceses e ao laicismo hipérbolizado (apesar de não deixar de concordar com tudo isso).
Posso até estar coberto por um espesso véu da ignorância. Contudo, vejo esta questão para além do jacobinismo francês, visto que trata-se de uma questão que envolve toda a Europa. Vendo as coisas como elas são, quando, por exemplo, uma portuguesa ou uma inglesa se deslocam às comunidades islâmicas, têm, penso que por obrigação, de adoptar os costumes islâmicos (o que inclui o uso do véu). Isso deve-se, basicamente, ao facto de o Islão ser uma Civilização na qual Alá domina toda a sociedade (a religião mistura-se com a política, com a educação, com a família, etc.). Pelo contrário, a Civilização Ocidental é muito mais aberta, tolerante e individualista (socialismos à parte). Porém, esse individualismo não se pode aplicar em relação ao véu islâmico, isto é, se os muçulmanos prezam a sua tradição religiosa fechada, também têm de entender que o Ocidente não é o Islão. Não quero que alguém me julgue com discípulo de Le Pen, mas a verdade é que tem de haver muito mais abertura por parte dos imigrantes muçulmanos, de forma a que se possam assimilar na "nossa" sociedade (e dessa forma evitar-se-ão muitos conflitos étnicos, raciais,...). É como os comentadores desportivos dizem: trata-se de uma dualidade de critérios.

This page is powered by Blogger. Isn't yours?