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sexta-feira, Agosto 06, 2004

Este blogue morreu jovenzinho. Transferi-me para o Lusitano.

terça-feira, Junho 08, 2004

Reminiscência

quarta-feira, Junho 02, 2004

Eternal Sunshine of the Spotless Mind

terça-feira, Junho 01, 2004

Tropeçando no papel...

"A Soviet Communist politican and writer, Nikolay Ivanovich Bukharin (1888-1938) is best remembered for his association with the New Economic Policy (NEP) and for his execution after a show trial at which he was falsely charged with counter revolutionary activity. He was also referred to by Lenin as the "darling of the party", although Lenin thought he had never fully understood the dialetic. Bukharin was rehabilitated in 1988 with the return to vogue of many of his ideas during perestroika.
Despite his "liberal" reputation, Bukharin was one of the "Left Communists" who opposed the peace treaty with Germany and Austria-Hungary as a deal with imperialism. He favoured a rapid transition to total state control of the economy during the Civil War 1918-20- Moreover, in this period, he produced a rather doctrinaire textbook, The ABC of Communism. Bukharin became the leading proponent of NEP, advocating the radicalization of the policy at various critical junctures. Famously, he enjoined the Russian peasantry to enrich themselves. With the NEP's demise, Bukharin's political career effectively ended. He was removed from the Politburo in 1934 when he became editor of Izvestiya. In 1937 he was arrested and, after threats had been made against his wife and son, confessed to the charges."

[Concise Dictionary of Politics, Oxford]

sábado, Maio 29, 2004

Empurro-a um pouco, com rudeza, para ver se ela acorda. Mexe-se, suspira, e continua a dormir, alheia a tudo.

[Hanif Kureishi, Intimidade]

quinta-feira, Maio 27, 2004


quinta-feira, Maio 20, 2004

Mark Rylance

segunda-feira, Maio 17, 2004

Isabel Figueira

Vinha preparado para defender Isabel Figueira e para criticar aquelas obtusas entrevistas d'O Independente. Contudo,o João já disse o essencial. De facto, a apresentadora do "Top +" não é obrigada a saber quem foi Kant ou quem escreveu o Amor de Perdição. Ela apenas necessita de ser bela, o resto não interessa.
Se há alguém a criticar, esse alguém é a sociedade facilitista que permite atingir o sucesso sem que seja preciso ler um simples livro ou jornal. Se a entrevista fosse feita a uma rapariguinha de universidade, os resultados seriam os mesmos. Mentira, a Isabel Figueira continuaria mais bonita.

sexta-feira, Maio 14, 2004

Soluções?

A União Europeia e os seus Estados-Membros têm tido, nos últimos tempos, grandes divergências, no que respeita à elaboração de uma Constituição Eurpeia.
Como já muitos autores disseram, esta Constituição não é aconselhável a países como Portugal, já que dela decorrerá um défice democrático, a favor do centralismo franco-alemão e dos eurocratas de Bruxelas (o que vai dar ao mesmo). Contudo, será impossível países como Portugal desenvolverem-se sem uma cooperação europeia, como aquela que ocorreu nas décadas de oitenta e noventa, o que envolve a cooperação com a França de Chirac e com a Alemanha de Schroeder (ou será o contrário?).
Com isto quero dizer que, a solução para Portugal nunca poderá passar pelo afastamento em relação à União Europeia. Contudo, não se pode cair nas garras da modorra e permitir-se que as decisões do nosso país sejam tomadas apenas por franceses, alemães e afins.
Ou seja, ser-se europeísta não é a mesma coisa que ser-se françês ou alemão. Há diferenças que não podem ser esquecidas.

Manuel Monteiro,entre outros

"Like democracy, the idea of a demagogue has its roots in the ambiguous Greek word 'demos'meaning 'the people', but in the sense of either 'the population'. Thus a demagogue was, even in classical times, the leader of the mob, but also the leader of a popular state in which sovereignty was vested in the whole adult male citinzenry. In the defunct, neutral sense all modern Western leaders are, to some degree, demagogues.
But the modern significance of the idea of a demagogue lies in its pejorative sense, as the leader of a mob, with the implication that those who rouse the rabble always do so for ignoble purposes. In this sense the word came into established use in England in the Civil War period and was used, particularly, by the poet John Milton to describe contemporary activists. A long line of liberal thinkers have expressed fears of demagoguery and the need for constitutions to limit its destructive potential. John Stuart Mill invoked the image of the orator inflaming the drunken mob on the subject of the Corn Laws in front of a corn merchant's house to introduce the principle that freedom of speech should be limited in certain contexts.Lord Acton portrayed nationalist and religiously intolerant demagogues as a constant danger of and to democracy. Joseph Schumpeter kept these images alive in twentieth-century political theory by drawing on Gustave Le Bon's mob or crowd psychology to suggest that the 'mob' is erratic, irrational, and oriented towards violent solutions to problems.
Schumpeter was primarily reacting to Hitler's success as a demagogue, but demagoguery did not die with Hitler."

[Concise Dictionary of Politics, Oxford]


Nacionalismo de primeira e de segunda?(notas perdidas)

Há duas formas de nacionalismo: o de poltrona e o nacionalismo activo. Do primeiro, não se deve ter nenhum receio. Até se pode ler com interesse o que alguns desses nacionalistas de poltrona escrevem, já que são pessoas pacatas, sem qualquer tipo de disposição para mudar o mundo. Contudo, os segundos são mais perigosos. Estes nacionalistas activos mentem descaradamente; não têm valores morais que os impeçam de munir-se com o mais profundo populismo; agem como se não soubessem que o sentimento nacionalista pode tornar-se, muitas vezes, mortífero.

quinta-feira, Maio 13, 2004

Infâmias

Dá-me a sensação de que , por vezes, a ignorância torna-se mais forte do que qualquer tipo de argumentação. Basta colocar rótulos nas pessoas e dar umas risadinhas para o lado para eliminar alguns adversários políticos. Não é preciso argumentar. Basta dizer umas quantas disparates e fazer cara de sono quando alguém tenta dizer algo sério. É como um mentecapto me disse um dia :"Eu não preciso de ler livros para saber."
Inevitavelmente, sinto-me bastante pessimista quando ouço ou vejo este tipo de coisas. Por exemplo, hoje estava a falar-se de conservadorismo num local que deveria respeitar a tradição (o nome da instituição), às tantas, uma mulher de pastilha nos dentes assemelha a visão oakeshottiana (mesmo confessando não conhecer a obra de M. Oakeshott)de conservadorismo ao salazarismo e arrasta o assunto para as atrocidades cometidas pelos soldados americanos a prisioneiros iraquianos.

Humor bacoco

Ao dar uma breve passagem por alguns blogs, encontrei umas frases de apoio a Manuel Monteiro. Em circunstâncias normais, seria completamente banal. Afinal de contas, o populismo e a demagogia têm muitos adeptos. O que já é estranho é comparar-se, o renegado, Manuel Monteiro ao "golfista" (uso as palavras do autor) João de Deus Pinheiro. Talvez o lexema "golfista" seja o grande argumento dos opositores do cabeça de lista do PSD às Eleições Europeias. Se é esse o argumento, julgo que é melhor jogar golfe do que passar anos de uma vida a mentir a peixeiras e a fazer companhia aos pescadores nocturnos.

segunda-feira, Maio 10, 2004

O mundo em que vivemos

Enquanto, nós por cá, falamos do processo "Casa Pia" e ficamos colados à televisão à espera de ver a libertação de Carlos Cruz,o perigo continua à solta para os lados da Rússia e da Tchetchénia. Agora foi Akhmad Abulkhanovitch Kadirov que morreu num atentado de guerrilha em Grozni (morreu Kadirov e os civis do costume).
As relações entre a Rússia e a república da Tchetchénia têm vindo a deteriorar-se ao longo dos últimos anos e não se vêem grandes sinais de harmonização. O perigo vindo dos Tchetchenos não vem apenas da sua ambição independentista, mas,também, da grande quantidade de terroristas que por lá se cruzam. Com isto não quero desculpabilizar a, agora, Rússia de Vladimir Putin. De facto, a Rússia ainda não é a democracia que os Europeus querem para a sua União, nem Vladimir Putin um presidente que faça apanágio da democracia para a sua governação.
Portanto, vivem-se anos difíceis para os lados do ex-centro da União Soviética e é bom que ninguém se esqueça disso, já que os grandes sentimentos nacionalistas raramente deram felicidade a alguém.

sábado, Maio 08, 2004

"Este mundo é o meu mundo, o meu território. Tenho que correr para a liberdade , de coração enlouquecido, a berrar de dor e de êxtase, arremetendo de cornos baixos, rasgando as barricadas que me enclausuram e me abafam. Tenho que ter espaço para me expandir...amplos, silenciosos espaços para investir de modo que a minha voz se possa ouvir até aos limites extremos e estremeça as paredes invisíveis deste universo cruel."

[Henry Miller, Moloch]

Manipulação diária

A manipulação que Francisco Louçã faz diariamente chegou, como se fosse uma epidemia, aos jovenzinhos ignorantes. Parece que são jovens ignorantes, mas que aprendem depressa. Vejam bem o que ouvi no outro dia de um bloquista assanhado (e tenho testemunhas) : "sabem, o Portas quer tirar o nome República da Constituição portuguesa para, daqui uns anos, instaurar uma Monarquia...". Impressionante, não é?

sexta-feira, Maio 07, 2004

Esclarecimento

Hoje fui acusado, por um conhecido, de ter sido banido do partido de que sou militante (embora militante só de nome). Essa acusação deve-se a uma notícia publicada pelo "Público", na qual se refere que "a confiança de que o partido actualmente sob a liderança de Durão Barroso, prossegue com coragem e em circunstancias nacionais e internacionais particularmente difíceis, a luta por reformas de cariz social-democrata, sem consecessões a modas neo-liberais, nem anquilosantes conservadorismos de esquerda ou de direita". Obviamente, a declaração lida por Francisco Balsemão não se dirige a nostálgicos do partido conservador britânico, ou sequer, a algum admirador dos neoconservadores americanos. Esta mensagem destina-se a todos aqueles que têm em vista apenas os seus interesses, àqueles que pretendem manter as suas regalias intemporalmente.

Citando José Manuel Fernandes, "Mas o pior é que se o PSD já não é reformista, o resto da paisagem política é dominada por conservadores: todos os que, sobretudo na oposição, têm ocupado o melhor do seu tempo a defender os privilégios deste ou daquele sector da imensa federação de corporações em que este país está transformado".


quinta-feira, Maio 06, 2004

Sobre o fumador

Não é minha intenção plagiar o que estes amigos têm dito. Contudo, queria sair aqui em defesa do fumador.
O fumador é, normalmente, condenado por fumar, mesmo quando não fuma. Digo até que, qualquer desgraçado que queira começar a fumar, tem de se preparar previamente para os sermões constantes, para as flagelações constantes, entre muitas outras coisas que fazem com que o recém fumador sinta que foi amaldiçoado.
Isto é, a pessoa que recrimina o fumador fica com o bom-senso, com a verdade e com o bem do seu lado. Por seu lado, o fumador tem de contentar-se em ser aquele miserável errante que imita as meninas de liceu que vão fumar às escondidas para a casa de banho.


Nota

Espero que esta fotografia do pai de tantos bloquistas não seja causadora de algum engano.

Herói Fementido

Antiamericanos

O antiamericanismo é um fenómeno troglodita, que grassa um pouco por todo o lado. Porém, o antiamericanismo europeu é o que mais me fascina. Fascina-me por várias razões que acabam todas por cruzar-se com a ignorância histórica e política. Diga-se que não me refiro aos seguidores do general De Gaulle (nem aos alemães) que pretendem conceber uma super União Europeia, rival dos Estados Unidos, liderada por franceses e alemães. Refiro-me aos indivíduos que parecem já nascer contra os Estados Unidos, refiro-me àqueles que nunca leram um livro na vida , mas que, supostamente, sabem que a América é da família de Oliveira Salazar. Estes pertencem a uma espécie abundante de pessoas que nunca tiveram alguma ideia, para além daquelas que personalidades como Francisco Louçã lhes deita para os olhos ( se é que há alguma ideia para além dos rótulos que a esquerdalha põe nas pessoas ).

quarta-feira, Maio 05, 2004

Chicla

Estava eu em amena cavaqueira com dois facetos, quando me fazem a seguinte pergunta : "e o que pensas do alargamento?". Entre sorrisos e olhares despropositados, dei uma resposta. Contudo, ouvi uma voz de fundo que negava tudo o que eu acabara de dizer : "isso não é possível". Era a inesperada Chiclete ao seu melhor estilo.
Nesse momento, reparei que a imberbe sempre lá estivera, mesmo a meu lado. Por isso, tive a oportunidade de escutar algumas das conversas da rapariga. Entre uma dessas conversas, ouvi um diálogo aceso entre ela e o Contador de Provérbios. Nesse diálogo falava-se das vantagens e desvantagens do futebol. Pelo que me deu a parecer, a Chiclete era pró-futebol. Ele também. Partilhavam histórias e segredos jamais contados. Entre uma das muitas reflexões da jovem, ouvi : "isto é assim, o futebol é como a política, só que mais saudável". Ora diga lá, não é lindo?

segunda-feira, Maio 03, 2004

O alargamento e algumas opiniões

Já muito se falou sobre o alargamento que se concretizou neste fim-de-semana. Por motivos muito pessoais, sinto-me bastante à vontade para discutir as vantagens e as desvantagens. De qualquer forma, não me sinto com vontade de repetir tudo aquilo que foi dito por personalidades que muito respeito, tais como José Pacheco Pereira.
Assim sendo, vou aqui deixar apenas uma nota de boas-vindas aos novos Estados-Membros da União Europeia.

Para além disso, há uma versão populista sobre o alargamento europeu que não pode ser levada muito a sério : a versão de que Portugal será inevitavelmente prejudicado com o alargamento a países mais evoluídos e com mão-de-obra mais barata. Claro que, mesmo que redutor, esse argumento tem um certo sentido de verdade. Porém, muitos dos que são contra o alargamento, pertencem aos quadros do nacionalismo populista e barato (Manuel Monteiro talvez seja um ícone para essas pessoas) e falam do Estado-Nação como se fosse a salvação da Pátria. Ainda existem os que olham ao seu próprio umbigo, referindo-se à perda de parte dos fundos estruturais que eram habitualmente enviados para Portugal. A esses devo dizer que já tivemos várias oportunidades de nos desenvolvermos dentro da Europa, que já passaram quinze anos e o país nunca foi mais do que promissor. Aos outros, aos amantes da Pátria, devo confessar que fico assaz preocupado com a possibilidade dos Estados-Membros perderem grande parte da sua soberania para uma Europa centrada nas ambições francesas e alemãs. Contudo, julgo que o Estado-Nação não é, obrigatoriamente, incompatível com uma Europa que partilhe objectivos comuns ( economia, militarismo, etc.). Ou seja, eu também repudio a burocracia de Bruxelas e o Eixo franco-alemão. Mas, não se pode afirmar com segurança que o nacionalismo é melhor solução do que o federalismo para os problemas que Portugal enfrenta neste momento ( e aqui devo dizer que não tenho qualquer tipo de sentimento pan-europeu).

Woodrow Wilson

domingo, Maio 02, 2004

Afinal há vida!

Depois de muitos dias de indignação, hoje, finalmente, consegui sorrir um pouco ao ler a, já, famosa expressão, "Eles mentem, eles perdem." Quando tropeçei na propaganda bloquista pela primeira vez, vieram-me à memória os mais mirabolantes insultos. Contudo, hoje foi diferente.
Quando divagava pelas ruas de Lisboa, esfomeado, cansado da modorra matinal, deparei-me com o espanto de uma senhora que não deveria estar preparada para ver as façanhas bloquistas. Também ela ficou indignada. Também ela praguejou.
A partir desse momento, já consegui olhar de frente para o Aznar eliminado e respirar de pulmões abertos porque sabia que, para lá das aparências, ainda existe vida.

sábado, Maio 01, 2004

Um pouco do mesmo

Acabo de ver a celebração do 1º de Maio, na NTV. Devo dizer que não fiquei surpreendido com toda aquela babugem que foi derramada pelos inúmeros populares que se manifestaram durante o dia de hoje. Aliás, toda a gente agiu do modo que eu estava à espera.
As bacoradas, os bacocos e as bacoquices são próprias desta nada. Nada pode alterar isso. Ainda bem que assim é. Era pior se este revivalismo esquerdista se prolongasse indefinidamente no tempo. Se isso acontecesse, teria de ser criada uma pasta no Executivo para o experiente Organizador de "Manifs"(termo usado pelo próprio demente), etc.

Ofensor

Como já se tornou hábito há algum tempo, hoje levantei-me bem cedo para comprar a meia dúzia de jornais diários que me preenchem o dia. Saí de casa sem dar alguma importância à aparência. Não é que seja demasiadamente vaidoso, mas há minimos de decência. De qualquer forma, os meus olhos não quiseram cruzar-se com o espelho. Mas, pelo olhar que o jornaleiro me lançou, devia ter um aspecto monstruoso.
Quando acabou a minha correria pelo jornal, decidi sentar-me num banco apetecível, de modo a descansar dois pulmões râncidos. Não consegui. Apareceram dois esquerdistas raivosos, meus conhecidos, que me apanharam com o "Independente" nas mãos . Acabara de ser apanhado pelos carniceiros; já imaginava o meu crânio a embater contra uma parede. Contudo, consegui resistir às humilhações e às palavras mal intencionadas que aquele par de jacobinos me dirigiram. O meu silêncio prevaleceu. Porém, depois de ter descido ao altar de Mussolini, disse o inevitável: "esperam-me em casa. Estou atrasado". Depois de me levantar bruscamente, ouço: " és um...olha és um ofensor".

Sobre Santana...

Vasco Pulido Valente escreve, hoje, no DN, o que eu penso a respeito de Santana Lopes. O artigo intula-se "Pop Star".

quinta-feira, Abril 29, 2004

O Homem que salvou o mundo

O artigo

Como em todas as quintas-feiras, hoje levantei-me com a ânsia de ler o artigo de José Pacheco Pereira no "Público". Infelizmente, não houve artigo para ninguém. No entanto, há um outro artigo de interesse da autoria de Francis Fukuyama, intitulado "Reabilitar o Iraque Continuará a Ser Uma Árdua Batalha".

quarta-feira, Abril 28, 2004

Insónia da intolerância?

A tarde de ontem levou-me a chegar a uma conclusão tardia: as classes economicamente mais desfavorecidas e os mais jovens, relacionam a Direita com o roubo, com a intolerância, com o tradicionalismo e com outras coisas mais. Posso ter tirado a conclusão errada, mas as pessoas falaram por si. Veja-se o meu caso (e o destes meus amigos). Somos das pessoas mais sensatas que conheço; tratamos a democracia por "tu". No entanto, em debates, ou em discussões que chegam a tocar a barbaridade, lá vêm os canalhas apelidar-nos de fascistas. Não me importo. Não sou fascista. Não sou apoiante de tradicionalistas. Apenas apoiei a Guerra do Iraque. No entanto, esse apelidar de "fascista" não é apenas um fruto da ignorância. Não, é um jogo ardiloso muito usado por quem nunca teve argumentos razoáveis para defender as suas posições. Contudo, esses comentários são perigosos visto que, podem influenciar deveras as pessoas que os possam ouvir (ou ler). Essas pessoas mais influenciáveis são os velhotes que passam a tarde a jogar à sueca, o jovem recém entrado na faculdade que vê os colegas fumar haxixem, a doméstica, ou seja, todos aqueles que têm o ouvido mal preparado. É desta gente que eu ouço dizer que o Durão é assassino, que ele é que devia passar fome, entre outros comentários do género.

terça-feira, Abril 27, 2004

Menina e Moça

A Chiclete é uma jovem universitária que pretende ser diplomata. Os ideais da jovem rapariga passam, simplesmente, por fazer com que acabem as guerras no mundo. Pode parecer simplista, mas é o sonho que ela quer realizar. Porém, para além de ideias vagas, a ninfóide possui um trunfo que arrasa com toda a concorrência da sua turma: uma simples pastilha. Até já estou a imaginar o seu tartamudo professor de inglês, daqui a uns decénios, contar aos netos: "Lá vai a maior mascadora de pastilhas de todo o planeta. Ainda me lembro de vêr aquela boca aberta, aqueles ruídos lânguidos vindos de uma lingua espessa de saliva. Aquelas apresentações de inglês. Olhem, nunca mais vi alguém igual...".
À pastilha junta-se um dos seus traços mais característicos, a humildade. Humildade essa que deve ser partilhada pelo resto dos seus amigos. Pelo menos, foi o que me deu a parecer quando a imberbe exclamou, numa tarde radiante de voluptuosidade, "eu não percebo muito de política, mas o Durão é ladrão". Que expressão inesquecível. Ainda hoje me sabe a mentol. Ainda hoje ouço aqueles maxilares baterem um no outro compulsivamente (à distância do tempo, não me lembro se eram os maxilares da jovem que batiam, se eram os seus amigos que davam gargalhadas de ignorância, ou se era a minha visceralgia que me roubava segundos de raciocínio).
O que é certo é que nunca mais a discussão sobre o aborto foi a mesma. Nunca mais o mundo será o mesmo, desde que as palavras fluiram ao ritmo da pastilha.

Já te abandono, e reconheço ao mundo
que te inventei um dia por brinquedo.
De não te conhecer fiz o sentido
que em memória nenhuma se contém;
deixei que fossem falsas as palavras
e que feitas de chamas me adornassem,
tradicionais, as penas do pavão.
Sinto-me bem agora, um pouco triste
de te saber contente a uma esquina
qualquer, do antigo mundo humano;
medo, talvez, te foi de bom conselho.
Grandes nomes que dei ao que senti,
soantes rimas em que amei, te deixo
para que ninguém saiba o que menti.


(António Franco Alexandre)

Reminiscência

segunda-feira, Abril 26, 2004

Peter Singer

Não costumo comprar a “newstatesman”, mas esta semana ofereceram-ma . Não ia falar dela, mas encontrei um artigo de Michael Lind sobre o livro The President of Good and Evil: taking George W Bush seriously, do filósofo australiano Peter Singer.
Nesse artigo intitulado “ Axis to grind”, Michael Lind refere que “ (...) Peter Singer dismisses reductionists who claim that everything Bush does is always in the interests of his Texan friends in the oil industry, or of the big corporations and wealthy individual donors who contribute so heavily to his campaign coffers”.
No entanto, mais à frente Lind nota : “ Citing Kant, he ( Singer) calls for a “world federation”, in the shape of a reformed United Nations, with adequate force at its comand, and based on global majority rule, with the votes of member states weighted “in order to reflect their populations”. Such a proposal, however, would be resisted not only by the US, even under a liberal president, but by most countries of the world, which would refuse to belong to a world body in which India, China and a few other populous nations, including the US, could easily unite to outvote everyone else.”
No penúltimo parágrafo, Michael Lind refere que Singer parece ter lido pouco sobre a História do Conservadorismo americano Moderno e sobre o Partido Republicano. “(...) Apart from newspaper/magazine aarticles, many of his sources are anti-Bush blogs”, refere Lind. Apesar das criticas, Lind também pertence à vastíssima classe anti-Bush, prova disso é o começo do seu último parágrafo : “ Bush, the worst president of my lifetime, has the power to reduce otherwise intelligent people to sputtering rage”.


domingo, Abril 25, 2004

Ilda Figueiredo

Não sinto prazer nenhum ao falar desta senhora, nem penso que seja saudável um jovem como eu falar desta eurodeputada. Mas, chegou-me aos ouvidos que esta comunista é a que mais intervenções tem no Parlamento Europeu (já o pude confirmar na “Grande Reportagem” da semana passada) .
Há coisas espantosas. Mas esta notícia não me espanta minimamente. É que a senhora fala que se farta. Dir-se-ia que ela fala até demasiado. Por vezes, até os colegas de bancada de Ilda Figueiredo devem recear que ela abra a boca. Mas, a verdade é esta e só esta: Ilda Figueiredo é a Mulher Intervenção. Os comunistas podem ficar orgulhosos com a sua “menina com estrela” para a conversa.
Contudo, Ilda Figueiredo tem um conjunto de factores que fazem dela uma lástima, enquanto actor político. Em primeiro lugar, é comunista (o que já é mau). Depois, para além de rebentar os tímpanos aos seus ouvintes, não diz nada. Isto é, fala muito mas não diz nada. De seguida, não me lembro de outra pessoa que interrompa tanto os colegas de debate para dizer barbaridades (quantas vezes vimos Mário Soares pedir a Ilda Figueiredo que se calasse naquelas tardes da RTP 2...). Haveria muito mais a acrescentar a isto. Porém, o essencial está dito e, julgo que os portugueses não deveriam orgulhar-se muito com a eurodeputada. É que, às vezes, mais vale ficar calado (neste caso, calada...).

Nota: Vi hoje um cartaz, no qual, estava estampada a fotografia de Ilda Figueiredo. Sendo anticomunista, até tive pena dos que votam nela.

sábado, Abril 24, 2004

O colega bloquista


Como os amigos de Direito interromperam os seus encontros semanais, devido a um fantástico torneio de sueca em que se inscreveram, não tenho conseguido dar-lhes voz através das minhas palavras. Ironias à parte, a ausência dos imberbes obrigou-me a encontrar os surrealistas caminhos da minha imaginação. Mas não foi fácil de encontrar substituto à altura. Os candidatos eram muitos e a minha paciência para ouvi-los limitada.
Lá encontrei o Francisco, um jovem bloquista conhecido. Chamei-o; ele parecia não me ouvir. Ganhei coragem e gritei-lhe. O rapaz virou-se bruscamente, numa tentativa frustrada de esconder o fumo que escorria furiosamente por entre os seus dedos. Parecia haxixe. Não me importei. Precisava de encontrar alguém que me mostrasse que também consigo sorrir. O Francisco aproximava-se de mim a passos largos. Apertei-lhe a mão. Reparei que ele tinha as cassiopeias no olhar:

- Julguei que tinhas deixado... - perguntei-lhe pouco espantado.
- Ora, isso são lá modos de cumprimentar um amigo.
- Desculpa-me...Vamos dar uma volta por aí? Conversar um pouco.
- Sim. Vamos a minha casa, Lisboa de noite amedronta-me - respondeu-me o rapaz.

À medida que caminhávamos, eu comecei a redescobrir as razões pelas quais eu me tinha apartado da companhia do Francisco e dos seus amigos por tanto tempo. A verdade é que eu procurei o rapaz para me rir durante uns momentos. No entanto, já não me lembrava que os meus sorrisos apenas serviam para esconder a misericórdia que tinha para com ele. O jovem demente fez questão de lembrar-me :

- Não sei por que lês livros...Qualquer dia esqueces tudo - disse-me -, tenho a certeza.

Não consegui responder. A estupefacção explodiu em mim. Senti-me incapaz de quebrar aquele pequeno mundo do rapaz. Não podia fazer isso. Seria demasiada crueldade da minha parte. Contudo, o rapaz estava disposto a deixar-me furioso.

- Olha, vou dizer-te uma coisa: a minha namorada deve estar grávida. Um tipo não usa preservativo duas vezes e acontece disto! - e acrescentou - Talvez tenha de a levar a Espanha.

Quando já avistávamos a casa do rapaz, lembrei-me de todas aquelas conversas sobre o aborto, a Guerra do Iraque e a legalização das drogas que tiveramos um dia. Apressei-me a inventar uma desculpa e despedi-me do rapaz.


sexta-feira, Abril 23, 2004


Quem fala assim...

"John Kerry's decision to attack the President as emphasizing terrorism too heavily on the same day that Osama bin Laden renewed his threat to attack America and our allies demonstrates a fundamentally flawed understanding of the War on Terror. John Kerry's downplaying of the terrorist threat as America is reminded of the enemy's murderous intent demonstrates a disturbing disregard for the real dangers facing our nation."


Steve Schmidt


Acerca da viragem do PS...

José Manuel Fernandes escreve, hoje, no "Publico", mais um bom Editorial. Aqui deixo um pequeno excerto: "(...) Por outras palavras: o PS exige que Portugal deixe de corresponder a um apelo formal das Nações Unidas e retire forças que estão devidamente mandatadas numa data (30 de Junho) que foi citada pela primeira vez pela... Administração Bush. Data que até, pela sua difícil exequibilidade, foi criticada por parecer obedecer mais ao calendário eleitoral americano do que às reais necessidades dos iraquianos e às dificuldades sentidas no terreno. Para quem tem enchido a boca com a "legalidade internacional" e com a legitimidade das Nações Unidas, a nova posição dos socialistas não deixa de ser paradoxal. Desse ponto de vista até Mário Soares, na linha do seu recente radicalismo, é até mais directo: para ele, "Nem mais um só GNR para o Iraque" e pronto. "

quinta-feira, Abril 22, 2004

Devaneios

Mais uma noite em que fantasmas do passado perseguem-me com frases vazias e gestos imperfeitos. As suas vozes escorregam pelas paredes tépidas de um quarto melancólico e desiludido. A dor corre através de segredos jamais contados, de sentimentos platonizados, de pensamentos deixados a meio.
Lembranças fugazes de palavras mudas escritas em páginas cheias de desejo são tudo o que me resta de ti. Recordo-me tristemente do teu andar apressado, do teu sorriso cansado, de todo o desespero que sentia quando nos cruzávamos, de todas as coisas que desejei confessar-te...

The Brown Bunny


quarta-feira, Abril 21, 2004

Zapatero, a Esquerda e a Europa

Apesar de as promessas eleitorais de Zapatero, provavelmente, não alterarem o modo de agir do trágico Osama Bin Laden, há muitos europeus que se regozijam pelo facto de um dos apoiantes da Guerra do Iraque ter sido "varrido do poder".
Contudo, dentro dos europeus, é necessário distanciar duas linhas argumentativas possuidoras e com objectivos diferentes. De um lado, estão todos aqueles que desejam conquistar a paz no mundo de uma forma irracional, os pacifistas "de café" (entre esses pacifistas incluem-se a esquerda festiva, a esquerda totalitária e grande parte do povo, do cidadão anónimo). Diga-se que, estes pacifistas querem a paz, o desenvolvimento económico e a felicidade humana a cobrir todo o planeta, tal como qualquer indivíduo deve desejar. Porém, poucos são os "pacifistas" ,possuidores da razão, que têm propostas e alternativas credíveis para concretizar o projecto de tal utopia inatingível. Acrescente-se que, é deveras difícil dar credibilidade a certo tipo de pessoas que se dizem contra o poder opressor americano e que defendem, ao mesmo tempo, governos como o de Kim Jong-Il, que abandonam o seu povo à miséria e à fome.
Divagações à parte, para além da alegria da esquerda festiva e antiamericana, há ainda o contentamento dos eurocratas pela subida ao poder de Zapatero em Espanha. Se, os primeiros baseiam-se num niilismo profundo, os últimos sentem que Zapatero é a derradeira oportunidade de surgir uma constituição europeia numa União Europeia cada vez mais centralizada.

terça-feira, Abril 13, 2004

Estou de férias até segunda-feira.

sábado, Abril 10, 2004

Perigo nas estradas


Em qualquer época festiva, há sempre um redobrar da atenção nacional para as estradas e, mais particularmente, para os condutores. Quando digo “atenção nacional”, não me refiro apenas à policia. Refiro-me a todos os portugueses que se lamentam pelas morte nas estradas e pela má condução dos “outros”.
Todos os anos é a mesma coisa. A comunicação social eleva-se aos céus, apontando o dedo aos maus condutores, o policia fala envergonhado para a televisão, a velhota em casa chora os mortos e o taxista “fogareiro” enraivece-se com tanta azelhice do condutor alheio. Contudo, os acidentes são os mesmos de ano para ano, as mortes também.

Como não quero ter a autoridade moral para criticar beltrano e sicrano, vou ficar-me com o relato de uma pequena conversa que tive hoje com um condutor muito suspeito:

- Vai sair hoje? – perguntou-me o taxista.
- Sim.
- Para o lugar do costume? – perguntou-me o homem com um sorriso.
Como a resposta foi afirmativa, o taxista começou logo a sua correria do costume. Passei cerca de metade da viagem sem falar. Estava cansado e, para além disso, nunca consigo conversar decentemente com o senhor. Para dizer a verdade, nunca sinto vontade de conversar com taxistas.
Mas, o dócil taxista lá tentou quebrar a monotonia:
- Parece impossível. Os portugueses não sabem conduzir e, os que sabem, devem ter muito azar.
- Porquê?- perguntei com um bocejo involuntário.
- Veja bem o que aconteceu a um amigo meu... Ele ia a entrar na sua aldeia... Estava mesmo a chegar a casa. Então não é que o carro sai da estrada e começa às cambalhotas pelos batatais.
Eu, espantado com a história que tinha acabado de ouvir, desabafei ingenuamente:
- Calculo que o seu colega goste de andar depressa...
- Por acaso até gosta. Mas...Não foi por causa disso; o Zé ia a 150 k/h mas aquilo foi azar.
Nem queria acreditar naquilo que acabara de ouvir:
- O senhor só pode estar a brincar. Ninguém entra numa aldeia a essa velocidade.
- Não, meu caro jovem. No caso dele, o problema foi uma pequena distracção. É como se diz, “ um pequeno descuido e é a morte do artista.”

Não quis dizer nem mais uma palavra até chegar ao meu destino.

quinta-feira, Abril 08, 2004

Mentira

Nos últimos tempos, muito se tem falado em mentiras. Mais concretamente, nas supostas mentiras de Bush e dos seus apoiantes. Pode, até, haver alguma mentira. Eu não as encontrei. Mas podem existir.
Contudo, é estranho ouvir mentirosos falarem em mentira (como já argumentaram João Marques de Almeida e Vasco Rato, bloquistas, comunistas e seus amigos, continuam com o terrível hábito de mentir).

Por vezes, lembro-me de um dirigente académico arrogante (do Bloco?) que gozou comigo e com um amigo meu, que teve a coragem de lhe dizer que não concordava com a argumentação utilizada pela esquerda festiva, a propósito da guerra do Iraque (ou terá sido a propósito do pagamento de propinas?). Lembro-me, também, da convicção que as suas palavras deixavam transparecer. O rapaz falava como se o mundo estivesse errado e ele fosse o único ser suficientemente lúcido para chegar à verdade.
Na minha opinião, e citando o inevitável João Marques de Almeida, “Estas pessoas não se limitam a mentir. Elas vivem na mentira e já nem sequer sabem o que é a verdade”. Não há volta a dar-lhe. Digo mais, quem acredita em ideologias assassinas, não tem legitimidade para chamar George Bush de ditador (saberá o bloquista anónimo o significado do lexema ditador? Respeitará ele os Direitos Humanos? Se respeita, desconhece que personagens como Estaline, Lenine, Trotski e Fidel Castro existiram)!
De qualquer forma, gostaria de dar uma mera sugestão (numa tentativa frustrada de ter piada): já que estamos em ano de manifestações estudantis, poderia organizar-se uma manifestação para que se façam os funerais de algumas almas enterradas na Sibéria há umas dezenas de anos.

quarta-feira, Abril 07, 2004

O Artigo

Há uns tempos, recusava-me imponentemente a comprar jornais como o “Independente”. Mais, gozava com quem o comprava. No entanto, surgiu uma sexta-feira em que senti alguma curiosidade de comprar o semanário “direitista”. A partir desse dia, descobri que o jornal, apesar de continuar a ser mau, tem grandes artigos de pessoas que admiro bastante (tais como João Marques de Almeida, Pedro Mexia, Vasco Rato, entre outros).


Esta semana que passou, saiu, no “Independente” um magnífico artigo de Mahomed Yossuf Adamgy (director da revista islâmica Al-Furqan).
Nesse artigo, o autor desfaz a ideia de que os terroristas são mártires. Afirma-se, pelo contrário que os terroristas são assassinos. Isto pode parecer demasiado obvio. Mas muitos são muçulmanos e não-muçulmanos que acreditam que os ataques terroristas são actos religiosos e de heroísmo.
Como o próprio autor refere, “se estes homens são realmente árabes, muçulmanos, trata-se obviamente de pessoas muito doentes e, por conseguinte, nem sequer se deve olhar para estes actos como uma questão religiosa”.

segunda-feira, Abril 05, 2004

A voz ignorante

Ontem, inesperadamente, recebi um telefonema de um conhecido, este meu conhecido vive nos EUA, há cerca de quatro anos. Sinto-me sempre mal quando falo com ele. Não é que o ache um indivíduo aborrecido. Apenas não tenho assunto para ele.
Contudo, ontem foi diferente. Pela primeira vez em muito tempo, consegui ouvi-lo com algum entusiasmo. Diga-se que, esse meu conhecido entusiasmou-me mais pelo seu estilo obtuso de abordar os assuntos, do que propriamente pela beleza discursiva.


Estava eu sentado no sofá a observar a rua, quando ouço o chamamento do telefone. Levanto-me lentamente para atender aquela voz agonizante. Não fiquei surpreendido por ter ouvido aquela voz de estrangeirado. Já me preparava para responder-lhe “sim”, sem que ele me tivesse perguntado algo mas, de repente, o rapaz desabafa: “ pois é, agora vamos lá votar para presidente. Eu não sei... Mas, Deus queira que aquele Bush perca as eleições. Ele só quer guerras. Olha, até já ouvi dizer que ele vai fazer uma guerra contra outro país”.


domingo, Abril 04, 2004

FALA AO CORAÇÃO

Meu Coração, não batas, pára!
Meu Coração, vai-te deitar!
A nossa dor, bem sei, é amara,
A nossa dor, bem sei, é amara:
Meu Coração, vamos sonhar...
Ao mundo vim, mas enganado.
Sinto-me farto de viver:
Vi o que ele era, estou maçado,
Vi o que ele era, estou maçado.
Não batas mais! vamos morrer...
Bati à porta da Ventura
Ninguém ma abriu, bati em vão:
Vamos a ver se a sepultura,
Vamos a ver se a sepultura
Nos faz o mesmo, Coração!
Adeus, Planeta! adeus, ó Lama!
Que a ambos nós vai digerir.
Meu Coração, a Velha chama,
Meu Coração, a Velha chama:
Basta, por Deus! vamos dormir...

[ António Nobre, “Só” ]

sábado, Abril 03, 2004

José quê?

Mais uma vez, José Pacheco Pereira antecipou-se a tudo e todos e disse aquilo que todos queriam ouvir a respeito de José Saramago. Num ambiente quase repressivo (diga-se que muita dessa repressão é semanalmente causada por Paulo Camacho), "o mestre" falou como só ele sabe sobre a perspectiva de igualdade democrática comunista (ou da não-igualdade).

sexta-feira, Abril 02, 2004

Para além me volto, para a sacra, a indizível, a misteriosa noite. Longínquo, o mundo jaz - decaído para uma funda cripta - e ermo solitário é o seu lugar. Nas cordas do peito sopra uma profunda nostalgia.

Novalis, Os Hinos à noite

Troy Paiva






A voz da razão

Na verdade, a virtude insubstituível das democracias liberais é que, nelas, realmente "nada obriga" quem quer que seja a não dizer tais barbaridades. Podem dizê-las em paz, apenas se expondo ao ridículo. Assim como podem manifestar-se sem serem perturbados. E recordar os seus tempos de glória quando, face à sensata decisão da NATO de instalar na Alemanha mísseis Pershing capazes de fazer frente aos SS 20 soviéticos, também percorriam as ruas gritando "antes vermelhos que mortos" - só que agora o grito mais apropriado talvez seja "antes uma burka que um McDonald"...

José Manuel Fernandes
, Publico,Terça-feira, 16 de Outubro de 2001

quinta-feira, Abril 01, 2004

Greves e manifestações

Hoje, houve outra greve de estudantes. Na semana passada, como foi dia do estudante, houve uma manifestação dos estudantes do ensino superior. Diga-se que os estudantes tiveram, até, autorização do Conselho Directivo para faltar às aulas (pelo menos na Universidade de Lisboa foi assim que aconteceu).
Eu já me sinto um pouco confuso com a ocorrência de tantas manifestações e greves em tão curto espaço de tempo. Já não sei quais são os protestos e as reinvindicações dos alunos. Provavelmente, a greve de hoje deveu-se ao facto de os professores insistirem em dar aulas.

Cartas I

O silêncio de uma voz que se calou faz-te padecer. Levantas-te. Tentas observar o mundo que te rodeia. Não consegues. Parece-te tudo tão mais complexo que os olhares que os dipsomaníacos te deitam. Mesmo assim, começas uma correria obstinada contra o tempo que te fugiu.
Caminhas a passos largos pelas ruas vazias. Contudo, aquela sombra de sempre continua lá, a vaguear, como se esperasse pela tua respiração ofegante. Finges não te incomodar com a presença dela. Procuras evitá-la. Não consegues. Ela está em todo o lado. Em todas as esquinas, nas folhas de jornal que voam com o vento, no teu pensamento... Mesmo assim, não deixas de caminhar. Tens vontade, mas não deixas. Os minutos vão se sobrepondo um ao outro e o teu inferno ainda te é distante.

terça-feira, Março 30, 2004

O artigo do dia

Hoje, José Manuel Fernandes escreve mais um fabuloso artigo no Publico. Aqui fica um pequeno excerto:"Na história da V República Chirac ficará por certo como um dos presidentes mais desastrados e mais prejudiciais, não só para os interesses da França como para os interesses da construção europeia. A sua longa carreira política mostra que é um homem de imensa habilidade e nenhuns princípios. Pior: que encarna alguns dos piores hábitos do nepotismo à francesa, para não falar da mais crua corrupção. Olhando para o país e para o Mundo do alto do Palácio do Eliseu, como um "roi soleil» retardado e, sobretudo, enganado no tempo e no lugar, Chirac tem sido um Presidente errático nas políticas, incoerente no discurso, capaz da mais baixa política ou da arrogância mais brutal".

O convite

Segundo o DN, Mário Soares "foi convidado para o aniversário de George Bush, o ex-presidente de I Guerra do Iraque". Parece que Mário Soares não sabe se vai. Se as criticas que o ex-presidente português faz a George W. Bush são ouvidas nos Estados Unidos, não compreendo aqueles que dizem que o governo americano é "fundamentalista" ou tirano!

segunda-feira, Março 29, 2004

INTIMIDADE



Londres. Anos 90. Claire (Kerry Fox) encontra-se com Jay (Mark Rylance) na cave do apartamento deste, todas as quartas-feiras, para o sexo. Só para o sexo. Nunca se falam. Despem-se depressa, passam alguns minutos em que a respiração ofegante marca a cadência dos corpos nus em atrito, vestem-se depressa, e ela sai em direcção ao desconhecido.



Assim começa “Intimidade”, de Patrice Chéreau, que venceu o Urso de Ouro em Berlim 2001 — festival que também premiou Kerry Fox como melhor actriz. O realizador diz que este é um filme “tipicamente francês” apesar de filmado em Inglaterra. Mas, diz Chéreau, “o cinema inglês tem uma atenção à realidade social uma brutalidade e às vezes, uma ausência de qualquer consideração em relação ao que se chama bom gosto. É esse segredo que eu lhe quero roubar para misturar com aquilo que poderia não ser mais do que uma abstracção à francesa.”



“Intimidade” adapta um conto de Kureishi, que já escrevera argumentos para cinema (“A Minha Bela Lavandaria”, de Stephen Frears). Escritor e realizador encontraram-se muittas vezes durante o processo de criação do argumento. Diz Kureishi, numa crónica no "Guardian”: “Falámos sobre corpos, morte decadência; sobre como tantos artistas estão interessados no corpo e nas suas necessidades: o corpo, mais do que a consciência ou as ideias; o corpo em si, no seu relativo isolamento. Parece que habitamos uma cultura de repulsa e choque, em que os humanos estão reduzidos ao zero e os objectivos da cultura se tornaram insignificantes.”



Mas Kureishi coloca o dedo na ferida quando se questiona sobre “para que serve tudo isto” — o sexo à quarta-feira entre um homem divorciado, que queria ser músico e afinal trabalha num bar da moda, e uma mulher casada, com um filho, que queria ser actriz e afinal representa teatro amador num “pub” londrino. “Por que não se falam, em vez de se tocarem? Porquê este pavor da comunicação? Se falarem com alguém, o que poderá acontecer? Se não, que outras possibilidades existem? Até que ponto as pessoas estão disponíveis? O que lhes devemos — ou eles a nós?”



Quando do Festival de Berlim, o filme causou polémica pelas ousadas cenas de sexo explícito. Os actores — corajosos, determinados, imensamente convincentes — envolvem as personagens numa teia complexa em que há algo para além do sexo. “Aqui o sexo não é algo que faz parar a acção. Aqui o sexo é a própria acção”, disse Chéreau, em entrevista ao PÚBLICO (22/06/2001).



Desespero, angústia, necessidade — nesse sexo partilhado não há palavras porque eles mal se conhecem. Mas há um momento em que terão de parar para conversar: é aí que começa o amor.




Raquel Ribeiro

ATENÇÃO:

Caro leitor, peço-lhe que leia este post!

Contra o cientismo

Nunca concordei com o racionalismo, tão, advogado pela esquerda marxista. Ou melhor, nunca considerei o Homem um ser racional capaz de fazer com que uma sociedade evolua até chegar ao seu estado de "perfeição".
Em primeiro lugar, nunca poderia concordar com este tipo de argumentação, porque nunca tive ideais utópicos. Depois considero que , "a sociedade é composta de massas que, sendo não racionais e facilmente influenciáveis, hão-de reduzir a humanidade à mediocridade".

Como seria bom se uma sociedade conseguisse unir os seus esforços racionalmente, de forma a atingir os seus objectivos. Contudo, isso não é possível. Por mais que se defenda o contrário, as massas nunca conseguirão agir racionalmente. Porém, o irracionalismo sempre tratou com profunda amizade as massas. Só o simples facto de o indivíduo comum não conseguir dar-se conta desse facto é prova de um irracionalismo extremo. Dando um exemplo jocoso, só através do irracionalismo é que se pode explicar o facto de haver pessoas que preferiam morrer do que ver George W. Bush a apanhar Bin Laden.

domingo, Março 28, 2004

Engate

é uma ameaça encontrar-te à esquina das ruas
rente aos grandes cinemas do mar
como se fosses o espelho côncavo de feira
onde posso mergulhar e renegar-me

sim
se olhares o céu lúgubre deste fim de século
se fizeres um movimento de farol com o cigarro
eu – que vou a passar – tudo verei
mas nada será meu
porque não se pode falar com o espectro mudo
do engate – nem o desejo se levantará
para seduzir o corpo daquele que se ausentou

mesmo assim conheço
todas as esquinas da imunda cidade que amo
mesmo assim sofro de insónias – imito o noitibó
o bêbado louco

gesticulo como aquele que já não sou e
outro não serei

mantenho-me de pé e fumo
dentro deste túmulo de incertezas onde
nos encostámos de mãos enlaçadas à espera
que uma qualquer cesura nos agonie e sejamos
obrigados a vender o corpo já usado
aos insuspeitos violadores de poemas


[ Al Berto, "Horto de Incêndio"]

sábado, Março 27, 2004

Os conhecidos de Direito

Os conhecidos de Direito, não passam disso mesmo. São, apenas, os meus conhecidos de Direito. Ainda bem. Não suportaria o facto de ter amigos daqueles.
Contudo, não é a minha intenção descrever aquilo que sinto por eles. É, antes, informar o leitor de que houve mais uma conversa sobre política internacional (para quem não sabe, o grupinho de Direito gosta de partilhar toda uma ignorância exorbitante semanalmente).
Nesta semana, a conversa não poderia deixar de passar pela morte de Yassin. Não os repreenderia se a argumentação deles fosse minimamente convincente . Mas, de cada vez que os ouço, fico mais convencido de que eles não sabem sequer pensar. Mas isso já será arrogância minha.
A verdade é que eles queriam falar de Yassin. Não sabiam como. Conheceram-no no dia da sua morte. Mesmo assim, o homem foi por eles tratado como um santo. Quase choraram por ele. Eu não queria acreditar no que via e ouvia. Porém, comecei a perceber tudo quando se começou a falar do presidente George W. Bush. Aí tudo ficou claro. Para os enfermos, Sharon apoiou a sua espingarda no ombro de Bush e disparou três mísseis na direcção de Yassin. Assim como, Bush foi culpado pelos ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001 e pelo ataque de 11 de Março deste ano. Queria continuar a relatar a brilhantíssima discussão . Julgo que não vale a pena. Mas fica a seguinte pergunta: até que ponto se expandirá esta irracionalidade extrema?

sexta-feira, Março 26, 2004

They only come at night

quinta-feira, Março 25, 2004

O Encontro

Acordo para o vazio no fim de uma tarde indolente. Abro os olhos e vejo-me entrar numa realidade distante. O meu corpo cansado está deitado a observar o andar apressado de algumas criaturas ansiosas.
Entro em mim. Sinto o silêncio que me rodeia. Abro uma janela. Um rasgo de luz encandeia-me o olhar. De repente, tudo à minha volta transfigura-se. Num momento de loucura, tento fugir daquele quarto moribundo. Porém, não me consigo mover. Todo aquele oxigénio que me enfurece concentra-se em torno da minha cabeça, o que me deixa exausto.
Coonsigo escapar das garras da modorra. Fujo por entre casas e casebres numa correria indefinida, como se todo o mundo me quisesse abater.
Volto a sentir o silêncio. Posso finalmente descansar o meu pânico enraivecido. Contudo, há um cheiro conhecido que se aproxima, uma gota de sangue que cai no chão. Sinto-me encurralado. Mas, quando tudo indica que estes são os últimos minutos de uma vida monótona, ouço: "nada nos pode salvar".

quarta-feira, Março 24, 2004

O pessimismo

"(...)na origem de todo o raciocínio ou construção sobre a essência, funções e finalidades últimas do poder político, existe sempre uma concepção antropológica, optimista ou pessimista, uma opção mais ou meno fundamentada sobre a bondade ou a maldade do homem.
Simplificando e sacrificando conscientemente a profundidade à necessidade de delimitação de territórios, poderíamos dizer que uma das notas características e constantes do pensamento político "de direita" é a concepção pessimista do homem, que fundamenta as "doutrinas direitistas" e "aristocráticas", como a concepção optimista fundamenta as doutrinas "esquerdistas" e "igualitárias".
(...)A direita, porque não vê o homem como um ser naturalmente bom, é céptica quanto à sua possibilidade de criar modelos perfeitos e é até céptica quanto à perfectibilidade dos modelos. Apesar de acreditarem no aperfeiçoamento gradual através de melhores instituições, os pensadores e os homens de Estado "de direita" não costumam prometer o paraíso terreno, já porque não o crêemnpossível, já porque nem sequer o acham desejável."

Jaime nogueira Pinto, A Direita e as Direitas

terça-feira, Março 23, 2004

O herói râncido:


President Bush at Fort Campbell: We Faced a Threat and We Acted

Fort Campbell, Kentucky

"All who serve at Fort Campbell, and all who wear the uniform of the United States are serving at a crucial hour in the history of freedom. In the first war of the 21st century, you're defending your fellow citizens against ruthless enemies, and by your sacrifice, you're making our country more secure. You have delivered justice to many terrorists, and you're keeping the rest of them on the run. You've helped to remove two of the most violent regimes on Earth. With daring and skill and honor, you've held true to the Special Forces motto: To liberate the oppressed.

(...)Since we last met, you deployed over 5,000 vehicles, 254 aircraft, and 18,000 soldiers in Kuwait, in the fastest deployment in the history of the 101st. (Applause.) Since we last met, the 101st liberated the cities of Najaf, Karbala, and Hilla. You secured southern Baghdad, and sent 1,600 soldiers by helicopter to Mosul, in the longest air assault in military history. (Applause.)

Since we last met, the sons of the dictator went into hiding, until they were found and dealt with by the 101st and Special Operations. (Applause.) Since we last met, soldiers from Fort Campbell have helped to organize the first truly free local election in Iraq in 30 years. (Applause.) Since we last met, you helped to build medical clinics and to rebuild schools. By your decency and compassion, you are helping the Iraqi people to reclaim their country. Because you care, you're helping the Iraqis live as free people. (Applause.)

One year ago tomorrow, the Armed Forces of the United States entered Iraq to end the regime of Saddam Hussein. After his years of defiance, we gave the dictator one final chance. He refused. And so in one year's time, Saddam Hussein has gone from a palace, to a bunker, to a spider hole, to jail. (Applause.)

Because America and our allies acted, one of the most evil, brutal regimes in history is gone forever. The dictator of Iraq committed many atrocities and he had many more in mind. This was a regime that tortured children in front of their parents. This was a regime that used chemical weapons against whole villages. This was a country in which millions of people lived in fear, and many thousands disappeared into mass graves. That was the life in Iraq for more than a generation, until the Americans arrived. (Applause.) Because America and our allies acted, a state sponsor of terror was put out of business. The Iraqi regime gave cash rewards to the families of suicide bombers and sheltered terrorist groups. But all that's over. When Saddam Hussein went down, the terrorists lost an ally forever. (Applause.) Because America and our allies acted, an aggressive threat to the security of the Middle East and to the peace of the world is now gone.

September the 11th, 2001 taught a lesson I will never forget. America must confront threats before they fully materialize. In Iraq, my administration looked at the intelligence information, and we saw a threat. Members of Congress looked at the intelligence, and they saw a threat. The United Nations Security Council looked at the intelligence, and it saw a threat. I had a choice to make, either take the word of a madman, or take such threats seriously and defend America. Faced with that choice, I will defend America every time. (Applause.)

Because America and our allies acted, it is clear to everyone, when America makes a pledge, we keep our word. By speaking clearly, by speaking consistently, and by meaning what we say, it is more likely the world will be more peaceful. Because America and our allies acted, all the world is now seeing democracy rising in the heart of the Middle East. A year ago, Iraq was ruled by the whims of one cruel man. Today, Iraq has a new interim law that guarantees basic rights for all: freedom of religion, the right to cast a secret ballot, and equality under the law. And these historic changes are sending a message across the region from Damascus to Tehran: Freedom is the future of every nation. (Applause.)

The Iraqi people are achieving great things and serving and sacrificing for their own future. Today, more than 200,000 Iraqis, including 78,000 new police, are protecting their fellow citizens. They're building a country that is strong and free, and America is proud to stand with them. All over Iraq today, as that nation moves closer to self-government, Iraqis can be certain that in the United States of America, they have a faithful friend. And our military -- and in our military, they're seeing the good heart of America.

They see people like PFC Amanda Thompson Cummings, who volunteered to serve in Iraq. She's an Army cook who also works on security patrol. She said this to a reporter: "They know I can shoot. I'm one of the best in my battalion. But, hey, I'm a redneck, what do you expect?" (Laughter and applause.) Those are her words, not mine. (Laughter.)

This soldier also describes how the children of Iraq look at her, especially the young girls. As Amanda puts it, "When those girls look at a female soldier, they think, maybe I can be something, too." PFC Cummings says, "We made a difference in their lives. And their faces, when they look at us, that made it all worthwhile right there."

(...)Our military has had strong supporters in the House and the Senate. I want to thank the Congress for standing up. I want to thank every member of Congress who voted in favor of the $87 billion supplemental that is meeting the needs of our troops in the field right now. (Applause.) When your government gives you a mission, we must accept serious responsibility of our own. And here's my pledge: I'll work to make sure you have every resource and every tool you need to fight and win the war on terror. (Applause.)

The war continues. It's a different kind of war, but it goes on. As we saw again yesterday, the terrorists are fighting desperately to undermine Iraq's progress toward freedom. That attack showed once again the cruelty of our enemies. The terrorists and Baathist holdouts know that a free and stable Iraq will be a major defeat to the cause of hatred and terror. They can't stand the thought of a free society. They know that the rise of democracy and hope in the Middle East will mean the decline of their appeal and influence. So the terrorists understand that Iraq is the central front in the war on terror. They're testing our will. And, day by day, they are learning, our will is firm, their cause will fail. We will stay on the offensive. Whatever it takes, we will seek and find and destroy the terrorists, so that we do not have to face them in our own country. (Applause.)

Not long ago, we intercepted a planning document being sent to the leaders of al Qaeda by a terrorist named, Zarqawi. He's in Iraq. Along with the usual threats, he had a complaint. "Our enemy," said Zarqawi, "is growing stronger, and his intelligence data are increasing day by day. This is suffocation." Zarqawi is getting the idea. For the terrorists in Iraq, we're making sure there is less oxygen every day. (Applause.)

The terrorists hate and target a free Afghanistan and a free Iraq. They also hate and target every country that stands for democracy and tolerance and freedom in the world. The murderers in Madrid have revealed once again the agenda and the nature of the terrorist enemy. They kill the innocent; they kill children and their mothers on a commuter train, without conscience, without mercy. They cause suffering and grief and they rejoice in it. This terrorist enemy will never be appeased, because death is their banner and their cause.

There's no safety for any nation in a world that lives at the mercy of gangsters and mass murderers. Eventually, there's no place to hide from the planted bombs, or the far worse, weapons that terrorists seek. For the civilized world, there's only one path to safety: We will stay united, and we will fight until this enemy is broken. (Applause.)

The United States is committed to defeating terrorism around the world. It's a solemn commitment. We lead in this cause; we're fighting in this cause; and we are sacrificing in this cause. The 101st Airborne has known greater losses than any other division-sized unit. Each of these Americans brought pride to our country. We pray for their families. We will honor their names forever. (Applause.)

The 101st Airborne Division has earned its place in the history of our country. Sixty years ago, on the night before D-Day, General Eisenhower went down to the airfield where the 101st was loading into C-47s for their flight to Normandy. Eisenhower told the men not to worry because they had the best leaders and equipment. One of them looked at him and said, "Hell, General, we ain't worried. It's Hitler's turn to worry." (Applause.) That spirit carried the American soldier across Europe to help liberate a continent. It's the same spirit that carried you across Iraq to set a nation free. "



domingo, Março 21, 2004

Bom-senso

Ninguém hesita em afirmar que todas as formas de terrorismo são hediondas, exceptuando os próprios terroristas. Contudo, nem todos concordam com o facto de haver uma necessidade urgente de combatê-lo.
Desde o 11 de Setembro, muitas são as vozes, vindas da esquerda e da direita, que afirmam, com razão, que o mundo tem de se unir contra o terrorismo (essa forma de combater tão desumana). Contudo, quando se chega ao modo de combatê-lo as opiniões divergem.

De um lado, estão os que, como eu, defendem que o terrorismo tem de ser combatido corajosamente, não dando tréguas a loucos, ou a suicidas loucos. Nessa disposição corajosa, estão ainda os que acreditam que esta guerra contra o terrorismo tem de ser ganha a todo o custo, nem que para isso se tenha de combater no terreno do inimigo.

De uma forma que considero hilariante, surgem os que consideram o terrorismo uma forma de luta contra o imperialismo americano e contra toda a crueldade que a globalização tem causado. Até poderia ser assim, se vivêssemos em Plutão. Mas não vivemos. E, segundo me consta, países como Marrocos ou como a Indonésia não se inserem dentro do mundo americano da globalização ( este exemplo serve ainda para demonstrar que o ataque terrorista em Espanha,independentemente da sua autoria, não foi uma espécie de represália, pelo menos não há essa certeza contra a solidariedade de Aznar para com os Estados Unidos na questão iraquiana). Dessa forma, acho simplesmente inconcebível a seguinte afirmação de Francisco Louçã: "o primeiro açoriano foi varrido do poder. Faltam três".

De uma forma menos arrogante, mas mais sonhadora, surgem posições como as de Romano Prodi e do dr. Mário Soares. Basicamente, esses senhores acreditam que uso da força não é o melhor meio de combater o terrorismo. Como se poderá calcular, esta posição tem muito de antiamericanismo. De qualquer forma, gostaria que alguém me dissesse qual é a melhor forma de chegar a acordo com terroristas. Será com fraqueza? Julgo que não.

sábado, Março 20, 2004

A Universidade não existe...

Se o objectivo da Universidade é formar elites para uma sociedade desgastada, falha redondamente.
Falando objectivamente, poucos são os estudantes que já leram mais do que dois livros inteiros, por prazer. E ,quando falo em livros, não me refiro ao "Papa porque viajas tanto?" nem ao "I'm in love with a pop star". Por isso, não compreendo muitos dos imberbes que se riem do facto de eles próprios serem analfabetos funcionais. Claro que eles pensam que, por estarem na universidade, são autênticos intelectuais, à moda antiga.

Os chacais, confessos resistentes de 68!

É de manhã. A modorra apodera-se do Homem em forma de abutre. O pensamento funde-se com a carne dilacerada por milhares de dentes insalubres. O sangue transfigurado leva-me a acreditar que sou o único sobrevivente da família dos cogitabundos. Tento falar. Não consigo. A escopeteria não autoriza. Limito-me a observar. Vejo cartazes a sobrevoarem a multidão faminta de vida. Admiro a puerilidade dos que urravam sem razão. Sento-me num degrau de uma escada a saborear a minha pequena derrota. A derrota da, tão pudibunda, coragem.
Regresso rapidamente a casa. Rasgos de imagens cruzam-se na minha mente. Só o medo é nítido. Só a cobardia é latente!

quinta-feira, Março 18, 2004

A minha náusea:


De leitura obrigatória

Hoje saiu no Publico um artigo de Robert Kagan, no qual o autor comenta o ataque terrorista em Espanha.

quarta-feira, Março 17, 2004

Discurso

"President Bush Says the Lessons of Winston Churchill Endure Library of Congress
Washington, D.C. THE PRESIDENT
: Thank you all very much. I'm honored to join you as we welcome a magnificent collection to the Library of Congress. I've always been a great admirer of Sir Winston Churchill, admirer of his career, admirer of his strength, admirer of his character -- so much so that I keep a stern-looking bust of Sir Winston in the Oval Office. He watches my every move. (Laughter.)

Like few other men in this or any other age, Churchill is admired throughout the world. And through the writings and his personal effects, we feel the presence of the great man, himself. As people tour this exhibit, I'm sure they'll be able to smell the whiskey and the cigars. (Laughter.)

I appreciate Jim Billington for hosting this exhibit, and for hosting me. It's good to see Marjorie. I appreciate the members of Winston Churchill's family who have come: Lady Mary Soames, who is a daughter; Winston Churchill III, the man bears a mighty name, and his wife, Luce; Celia Sandys, who is a granddaughter. Thank you all for coming. We're honored to have you here in America.

I'm pleased to see my friend, the Ambassador from the United Kingdom to America, Sir David Manning and Lady Manning here, as well. I appreciate the members of Congress who have come -- the Chairman. We've got a couple of mighty powerful people here, Winston, with us today -- Chairmen Lugar and Warner, Senator Bennett, Congressmen Bill Young, Doug Bereuter, Jerry Lewis, Tom Petri, Vern Ehlers and Jane Harman. I'm glad you all are here, thanks for taking time to come.

This exhibit bears witness to one of the most varied and consequential lives of modern history. Churchill's 90 years on earth, joined together two ages. He stood in the presence of Queen Victoria, who first reigned in 1837. He was the Prime Minister to Elizabeth II, who reigns today. Sir Winston met Theodore Roosevelt, and he met Richard Nixon.

Over his long career, Winston Churchill knew success and he knew failure, but he never passed unnoticed. He was a prisoner in the Boer War, a controversial strategist in the Great War. He was the rallying voice of the Second World War, and a prophet of the Cold War. He helped abolish the sweat shops. He gave coal miners an eight-hour day. He was an early advocate of the tank. And he helped draw boundary lines that remain on the map of the Middle East. He was an extraordinary man.

In spare moments, pacing and dictating to harried secretaries, he produced 15 books. He said, "History will be kind to me -- for I intend to write it." (Laughter.) History has been kind to Winston Churchill, as it usually is to those who help save the world.

In a decade of political exile during the 1930s, Churchill was dismissed as a nuisance and a crank. When the crisis he predicted arrived, nearly everyone knew that only one man could rescue Britain. The same trait that had made him an outcast eventually made him the leader of his country. Churchill possessed, in one writer's words, an "absolute refusal, unlike many good and prudent men around him, to compromise or to surrender."

In the years that followed, as a great enemy was defeated, a great partnership was formed. President Franklin Roosevelt found in Churchill a confidence and resolve that equaled his own. As they led the allies to victory, they passed many days in each other's company, and grew in respect and friendship. The President once wrote to the Prime Minister, "It is fun to be in the same decade with you." And this sense of fellowship and common purpose between our two nations continues to this day. I have also been privileged to know a fine British leader, a man of conscience and unshakable determination. In his determination to do the right thing, and not the easy thing, I see the spirit of Churchill in Prime Minister Tony Blair. (Applause.)

When World War II ended, Winston Churchill immediately understood that the victory was incomplete. Half of Europe was occupied by an aggressive empire. And one of Churchill's own finest hours came after the war ended in a speech he delivered in Fulton, Missouri. Churchill warned of the new danger facing free peoples. In stark but measured tones, he spoke of the need for free nations to unite against communist expansion. Marshal Stalin denounced the speech as a "call to war." A prominent American journalist called the speech an "almost catastrophic blunder." In fact, Churchill had set a simple truth before the world: that tyranny could not be ignored or appeased without great risk. And he boldly asserted that freedom -- freedom was the right of men and women on both sides of the Iron Curtain.

Churchill understood that the Cold War was not just a standoff of armies, but a conflict of visions -- a clear divide between those who put their faith in ideologies of power, and those who put their faith in the choices of free people. The successors of Churchill and Roosevelt -- leaders like Truman, and Reagan, and Thatcher -- led a confident alliance that held firm as communism collapsed under the weight of its own contradictions.

Today, we are engaged in a different struggle. Instead of an armed empire, we face stateless networks. Instead of massed armies, we face deadly technologies that must be kept out of the hands of terrorists and outlaw regimes.

Yet in some ways, our current struggles or challenges are similar to those Churchill knew. The outcome of the war on terror depends on our ability to see danger and to answer it with strength and purpose. One by one, we are finding and dealing with the terrorists, drawing tight what Winston Churchill called a "closing net of doom." This war also is a conflict of visions. In their worship of power, their deep hatreds, their blindness to innocence, the terrorists are successors to the murderous ideologies of the 20th century. And we are the heirs of the tradition of liberty, defenders of the freedom, the conscience and the dignity of every person. Others before us have shown bravery and moral clarity in this cause. The same is now asked of us, and we accept the responsibilities of history.

The tradition of liberty has advocates in every culture and in every religion. Our great challenges support the momentum of freedom in the greater Middle East. The stakes could not be higher. As long as that region is a place of tyranny and despair and anger, it will produce men and movements that threaten the safety of Americans and our friends. We seek the advance of democracy for the most practical of reasons: because democracies do not support terrorists or threaten the world with weapons of mass murder.

America is pursuing a forward strategy of freedom in the Middle East. We're challenging the enemies of reform, confronting the allies of terror, and expecting a higher standard from our friends. For too long, American policy looked away while men and women were oppressed, their rights ignored and their hopes stifled. That era is over, and we can be confident. As in Germany, and Japan, and Eastern Europe, liberty will overcome oppression in the Middle East. (Applause.)

True democratic reform must come from within. And across the Middle East, reformers are pushing for change. From Morocco, to Jordan, to Qatar, we're seeing elections and new protections for women and the stirring of political pluralism. When the leaders of reform ask for our help, America will give it. (Applause.)

I've asked the Congress to double the budget for the National Endowment for Democracy, raising its annual total to $80 million. We will focus its new work on bringing free elections and free markets and free press and free speech and free labor unions to the Middle East. The National Endowment gave vital service in the Cold War, and now we are renewing its mission of freedom in the war on terror. (Applause.)

Freedom of the press and the free flow of ideas are vital foundations of liberty. To cut through the hateful propaganda that fills the airwaves in the Muslim world and to promote open debate, we're broadcasting the message of tolerance and truth in Arabic and Persian to tens of millions. In some cities of the greater Middle East, our radio stations are rated number one amongst younger listeners. Next week, we will launch a new Middle East television network called, Alhurra -- Arabic for "the free one." The network will broadcast news and movies and sports and entertainment and educational programming to millions of people across the region. Through all these efforts, we are telling the people in the Middle East the truth about the values and the policies of the United States, and the truth always serves the cause of freedom. (Applause.)

America is also taking the side of reformers who have begun to change the Middle East. We're providing loans and business advice to encourage a culture of entrepreneurship in the Middle East. We've established business internships for women, to teach them the skills of enterprise, and to help them achieve social and economic equality. We're supporting the work of judicial reformers who demand independent courts and the rule of law. At the request of countries in the region, we're providing Arabic language textbooks to boys and girls. We're helping education reformers improve their school systems.

The message to those who long for liberty and those who work for reform is that they can be certain they have a strong ally, a constant ally in the United States of America. (Applause.)

Our strategy and our resolve are being tested in two countries, in particular. The nation of Afghanistan was once the primary training ground of al Qaeda, the home of a barbaric regime called the Taliban. It now has a new constitution that guarantees free election and full participation by women. (Applause.)

The nation of Iraq was for decades an ally of terror ruled by the cruelty and caprice of one man. Today, the people of Iraq are moving toward self-government. Our coalition is working with the Iraqi Governing Council to draft a basic law with a bill of rights. Because our coalition acted, terrorists lost a source of reward money for suicide bombings. Because we acted, nations of the Middle East no longer need to fear reckless aggression from a ruthless dictator who had the intent and capability to inflict great harm on his people and people around the world. Saddam Hussein now sits in a prison cell, and Iraqi men and women are no longer carried to torture chambers and rape rooms, and dumped in mass graves. Because the Baathist regime is history, Iraq is no longer a grave and gathering threat to free nations. Iraq is a free nation. (Applause.)

Freedom still has enemies in Afghanistan and Iraq. All the Baathists and Taliban and terrorists know that if democracy were to be, it would undermine violence -- their hope for violence and innocent death. They understand that if democracy were to be undermined, then the hopes for change throughout the Middle East would be set back. That's what they know. That's what they think. We know that the success of freedom in these nations would be a landmark event in the history of the Middle East, and the history of the world. Across the region, people would see that freedom is the path to progress and national dignity. A thousand lies would stand refuted, falsehoods about the incompatibility of democratic values in Middle Eastern cultures. And all would see, in Afghanistan and Iraq, the success of free institutions at the heart of the greater Middle East.

Achieving this vision will be the work of many nations over time, requiring the same strength of will and confidence of purpose that propelled freedom to victory in the defining struggles of the last century. Today, we're at a point of testing, when people and nations show what they're made out of. America will never be intimidated by thugs and assassins. We will do what it takes. We will not leave until the job is done. (Applause.)

We will succeed because when given a choice, people everywhere, from all walks of life, from all religions, prefer freedom to violence and terror. We will succeed because human beings are not made by the Almighty God to live in tyranny. We will succeed because of who we are -- because even when it is hard, Americans always do what is right.

And we know the work that has fallen to this generation. When great striving is required of us, we will always have an example in the man we honor today. Winston Churchill was a man of extraordinary personal gifts, yet his greatest strength was his unshakable confidence in the power and appeal of freedom. It was the great fortune of mankind that he was there in an hour of peril. And it remains the great duty of mankind to advance the cause of freedom in our time.

May God bless the memory of Winston Churchill. May God continue to bless the United States of America. (Applause.) "

Outro dia

cai na manhã do coração desolado
a toutinegra que longe daqui cantava e
nesse instante
a tristeza do rosto subiu aos lábios para queimar a morte próxia do corpo e
da terra

mas se a noite vier
cheia de luzes ilegíveis de véus
de relógios parados - ergue as asas
fere o ar que te sufoca e não te mexas
para que eu fique a ver-te estilhaçar
aquilo que penso e já não escrevo - aquilo
que perdeu o nome e se bebe como cicuta
junto ao precipício e à beleza do teu corpo

depois
deixarei o dia avançar com o barco
que levanta voo e traz as más notícias dos jornais
e o cheiro espesso das coisas esquecidas - os óculos
para ver o mar que já não vejo e um dedo incendiado
esboçando na poeira uma janela de ouro
e de vento


(Al Berto, "Horto de incêndio")

segunda-feira, Março 15, 2004

"Viva La muerte"

Nunca gostei de manifestações. A mais recente manifestação em Espanha (aquela de protesto contra o Governo) talvez não tenha passado de um ajuntamento popular. No fundo, nenhuma manifestação é mais do que um ajuntamento popular, mesmo que seja um ajuntamento à escala global.
A razão pela qual eu sinto uma profunda repugnância para com qualquer tipo de manifestação deve-se ao profundo irracionalismo das massas. Ao irracionalismo e à forma como o expressam. Dando um exemplo, nas eleições de ontem poucos foram os espanhóis que se lembraram que foi o PP de Aznar colocou a Espanha entre os "grandes da União Europeia" (seja lá o que isso for). Preferiram chamar-lhes mentirosos.

Contudo, o irracionalismo não se iniciou nem morrerá na Espanha.
A falta de racionalidade começou com o surgimento do Homem. Dir-se-ia que, o irracionalismo é uma pulsão inata do Homem. Isso pode ser comprovado através de vários exemplos. O primeiro, e o mais óbvio, é o comunismo que ainda continua a seduzir muitas mentes com uma ideologia assassina, que consiste, redutoramente, na falsa entrega de poder ao indivíduo comum. Depois, poderia, se tivesse outra disposição, avançar para a questão do fascismo italiano (que é sempre um lugar-comum). Porém, o exemplo que julgo mais demonstrativo do irracionalismo, prende-se com a questão do antiamericanismo (quando falo de antimericanismo, não me refiro somente ao ódio ao presidente Bush. Talvez seja um ódio para com o conservadorismo, mas nunca se poderia ficar pelo presidente Bush.Já Ronald Reagan deveria ser comparado com macacos, como é Bush).
O antiamericanismo faz parte da mentalidade colectiva. É usado sem reservas nem pudores. Qualquer estudante universitário que se preze, e que fume haxixe, tem de falar mal das políticas americanas. Até já ouvi dizer, na minha ilustre faculdade, que os imigrantes americanos são abandonados à morte, caso estejam doentes.
Ora, depois dos,até agora anónimos, ataques terroristas em Madrid as massas não exitaram em associar José Maria Aznar às políticas criminosas de Bush, clocando Bush em pé de igualdade moral com os terroristas.

Depois do 11 de Março, não me surpreenderia nada com uma derrota do PP nas eleições espanholas. Como saberá o caro leitor, podem dar-se reviravoltas em democracias. Infelizmente, ontem confirmou-se a derrota do PP.
Na minha ignóbil opinião, os eleitores espanhóis deram imagem do irracionalismo que os atingiu. Só assim se explica uma vitória do PSOE.

sábado, Março 13, 2004

Os mesmos de sempre...

Há coisas que nunca mudam. As reacções de vários esquerdistas ao ataque terrorista em Madrid englobam-se nessas coisas imutáveis. É certo que todos repudiaram os ataques terroristas. Contudo, quando se desculpa os actos terroristas, ou quando se usam argumentos absurdos, o repúdio deixa de ter razões para existir.
Foi o que aconteceu com duas das figuras mais importantes do panorama político nacional, Ana Gomes e Francisco Louçã.
Por um lado, Ana Gomes, com o seu histerismo habitual, consegue culpar os governantes que apoiaram Bush na questão iraquiana de irresponsabilidade. Quanto a mim, Ana Gomes não sabe que o 11 de Setembro não foi resultado da política externa americana ( se o foi, podemos culpar pessoas como Clinton).Foi, acima de tudo, resultado de um ódio fundamentalista para com o Ocidente e, mais especificamente, para com o seu expoente máximo, os Estados Unidos.
Por outro lado, Francismo Louçã, relaciona o fascismo com os ataques terroristas. Ora, aqui tenho de citar o "camisa negra"(e peço-lhe desculpa por falar tanto nele nos últimos dias):"Eu já estava desconfiado. E ainda acrescento mais: também desconfio que no terramoto de Marrocos, na desertificação galopante, no desastre do Prestige, e na desflorestação da Amazónia, anda a mão escusa do fascismo. Assim é que está certo. Pode dormir em paz a consciência universal".

Fiz mais dois links. Desta vez foi ao "Cegos, Mudos e Surdos" e ao Sexo dos Anjos!

Qualquer coisa para a alma

U.S. Rep. Rob Portman: Sen. John Kerry's Economic Policies Would Cost Jobs in Ohio WASHINGTON, DC - Today, U.S. Rep Rob Portman (R-OH) issued the following statement in regards to Sen. John Kerry's economic policies:

"Senator Kerry's policies of higher taxes, increased regulation and economic isolationism would hurt Ohio's economy and Ohio workers.

"Senator Kerry voted against both President Bush's 2001 and 2003 economic growth proposals, which have benefited more than 4.4 million Ohio taxpayers. Senator Kerry's economic plan is to raise taxes during his first 100 days in office.

"Senator Kerry has also supported defense cutbacks that would weaken America's ability to win the War on Terror and harm Ohio's 100,000 defense industry jobs. For instance, the Army tank plant in Lima, Ohio provides hundreds of jobs upgrading and maintaining M1 Abrams tanks, a weapon system Senator Kerry voted against.

"Senator Kerry is also a co-sponsor of the anti-coal Jeffords bill, which is predicted to cut coal use in half and cause electricity costs to soar. If this Kerry-supported legislation were to become law, Ohio could lose more than 25,000 jobs by 2010."

A Resposta

Ontem fiz uma critica demasiado dura a um blog. Porém, e para grande espanto meu, o autor do Fascismo em Rede começou a escrever aquilo que eu estava à espera que ele escrevesse quando fiz um link para o seu blog. Agora sim. Há grande potêncial.

sexta-feira, Março 12, 2004

"Todos descobrem, mais tarde ou mais cedo na vida, que a felicidade perfeita não é realizável, mas poucos se detêm a pensar na consideração oposta: que também uma infelicidade perfeita é, igualmente, não realizável. Os momentos que se opõem à realização de ambos os estados-limites são da mesma natureza:derivam da nossa condição humana, que é inimiga de tudo o que é infinito".

(Primo Levi, "Se isto é um Homem")

quinta-feira, Março 11, 2004

Estranha forma de pensar

Houve mais um lamentável atentado terrorista. Desta vez foi em Espanha. Como se deve calcular, sofri ao ver as imagens pela televisão. Porém, as pessoas que me rodeavam riam-se involuntariamente. Dir-se-ia que, naquele momento, a humanidade tirou mais uma das suas fotos de família.
O motivo de risota tornou-se óbvio quando ouvi a, tão conhecida, expressão "a vingança serve-se fria". Nesse momento, percebi que o que importava para eles era destronar todos aqueles que apoiaram Bush na guerra contra Saddam. Nem que para isso possamos morrer, como morreram todas aquelas pessoas.
O mais simpático que se pode dizer é que trata-se de uma estranha forma de pensar.

O dia de hoje apenas demonstrou, mais uma vez, que a guerra já começou há muito tempo e que ainda se encontra bastante longe do seu fim. O ataque de hoje não foi inesperado. Já muitos falavam em potênciais ataques em países europeus. Contudo, ainda continua a haver pessoas que preferem enterrar as suas cabeças debaixo do solo, olharem para o terrorismo islâmico como o inimigo que temos que combater com todas as forças. E, para que tenhamos força, temos de nos unir em torno de uma aliança atlântica que é fundamental para o futuro europeu. Se os Estados Unidos não pretendem continuar a agir de forma unilateral, é essencial para a Europa repensar a sua forma de poder, de forma a criar uma verdadeira aliança (alicerçada na OTAN), forte, determinada e, desesperadamente, vencedora.

O ERRO

Por vezes, as pessoas enganam-se. Foi o que me aconteceu há uns dias. Fiz um link para um blog intitulado Fascismo em Rede. Apesar de não me ter arrependido dessa decisão, enganei-me ao afirmar que era um blog com potêncial.
Por mais vezes que visite aquele blog, não uma única opinião do autor, algo que diga qualquer coisa doutrinária sobre o fascismo.Nada. É uma autêntica nulidade. A única coisa que se aprende lá é a utilizar um discurso arrogante e, digamos, "lambe-botas" (dos companheiros da intolerância).

segunda-feira, Março 08, 2004

A Esmeralda por recuperar

Acabei de ler um texto de Ignacio Ramonet. Nunca faria tal coisa por simples prazer.
De forma geral, Ramonet não escreveu uma só palavra que me surpreendesse. Pelo contrário, as suas palavras pareciam gastas e perdidas. Porém, não posso generalizar todo o texto da estrela cadente de "Le Monde Monde Diplomatique". Na realidade, há alguns aspectos positivis a salientar desse texto. Uma das coisas que me agrada no texto, é a forma como I.Ramonet consegue criticar com alguma clarividência o reaparecimento da direita dura, ou da extrema direita (o "nacional populismo) em alguns países da Europa Ocidental, tais como a Itália, a Suiça, a Dinamarca e, para grande surpresa minha, Portugal.
Contudo discordo com quase todo o resto do texto. Basicamente, discordo com o que tem que ver com as criticas à globalização, à direita e à esquerda.
Ramonet exibe, ao longo do texto, uma preocupação exacerbada para com o meio ambiente e para com o futuro da Humanidade. Seria compreensível e, até, de saudar tão grande preocupação se ela não apontasse o dedo aos culpados pela funesta globalização ("a globalização é a pilhagem à escala planetária"): à Tríade (constituída pelo Japão, União Europeia e pelos Estados Unidos).
Acrescente-se ainda que, Ramonet faz referência a um ano fulcral para a, por si chamada, "2ª revolução capitalista", 1989 (fim da Guerra Fria). Esta data é importantíssima para o surgimento da social democracia, no que se refere à sua chegada ao poder. Este aparecimento da social democracia trouxe, nas palavras de Ramonet as privatizações e o mercado.

Com efeito, Ramonet também tece criticas à esquerda. Mas, a verdade é que essas criticas são feitas com a intenção de vanglorizar a própria esquerda e também com a intenção de lhe traçar o futuro.

NOTA - Miguel Sousa Tavares

Antes de mais, tenho de dizer que não gosto de Miguel Sousa Tavares (apesar de considerá-lo um bom humorista). Não poderia deixar de enojar-me ao ler os seus artigos semanais. É inevitável. Mas dou-lhe desprezo. Um desprezo humilde e sensato que faz-me sentir bem comigo mesmo. Porém, a comunidade bem pensante tem de arranjar os seus bodes espiatórios. Neste caso, MST é o objecto de chacota dos devoradores de sangue, assim como, Bush é objecto de gozo de MST. Dir-se-ia que é um circulo vicioso que envolve uma grande dose de sentimentalismo.

domingo, Março 07, 2004

Caminhando pelas velhas ruas de Lisboa, sinto a frustração a abater-se sobre o meu corpo cansado. Penso mo sangue que ficou por derramar. Aquela imagem desfocada não me sai da memória. É como se ma tivessem amarrado à minha chaga mais profunda...

O link

Ontem fiz um link para o Fascismo em Rede. Não me arrependo da opção tomada, até porque não tenho qualquer tipo de pulsão antidemocrática. Porém, hoje fiquei com a sensação que o autor tem uma certa "mania da perseguição". Julgo que não há motivos para isso. Enfim, é um blog com potêncial.

sábado, Março 06, 2004

Statement from Mayor Rudolph Giuliani

Statement from Mayor Rudolph Giuliani

New York, NY - Former New York City Mayor Rudolph Giuliani issued the following statement:

"September 11th is the defining event of our times. This was a shared experience that the American people have all been through together. The war that the terrorists began on September 11th continues today.

"President Bush has provided the steady, consistent and principled leadership to bring our country through the worst attack in our history. His leadership on that day is central to his record, and his continued leadership is critical to our ultimate success against world terrorism."

A "HEADLINE" DO DIA:

"Papa recebe Santana Lopes no Vaticano a 12 de Março" ("Diário de Notícias")


sexta-feira, Março 05, 2004

IRREVERSIBLE


terça-feira, Março 02, 2004

Monica Bellucci






segunda-feira, Março 01, 2004

A Insónia / escrever mal ao som de Leonard Cohen

Acordo. Ouço grunhidos longinquos. Levanto-me, mesmo sabendo que ficarei algum tempo à espera que o mundo acorde. Não me apetece pensar. Nunca me apetece. Visto-me lentamente. Saio de casa. As ruas estão vazias, o que me dá um prazer demoníaco. Apetece-me gritar. A chama da loucura consome todo o meu corpo. Dá-me uma vontade obssessiva de beber "sangue como groselha". Obtusamente, os grunhidos de há bocado batem-me, com um estrondo envergonhado, sem que, ao menos, me tivesse dado conta do que se tratava. Volto para casa. Entro no quarto, quase que, por arrombamento e deito-me na cama. Em fracções de segundos, toda aquela fúria interior, desvaneceu-se. Adormeci.

quinta-feira, Fevereiro 26, 2004

Excertos escolhidos

"There exists a very dangerous tendency to identify the good man with the good sport, the cooperative fellow, the regular guy, i.e., an overemphasis on a certain part of social virtue and a corresponding neglect of those virtues which mature, if they do not flourish, in privacy, not to say in solitude: by educating people to cooperate with each other in a friendly spirit, one does not yet educate nonconformists, people who are prepared to stand alone, to fight alone...Democracy has not yet found a defense against the creeping conformism and the ever-increasing invasion of privacy which it fosters."

Leo Strauss, "The Rebirth of Classical Political Rationalism"

terça-feira, Fevereiro 24, 2004

Nem folia nem festejos

Por mais estranho que pareça, não sei o qual é o significado do lexema Carnaval. Pensei em escrever que não me interessa saber. Estaria a mentir. Na verdade, sempre me fascinei pelo facto de, nesta época do ano, as pessoas se transformarem em andróides (acrescente-se bêbedos) sem motivos aparentes. Recuso-me a acreditar que todos aqueles pais de família (que auto-intitulam-se de tradicionalistas) que se transformam em mulheres de bigode estejam apenas a dar bofetadas na nossa sociedade rotineira e opressora. É que, se assim fosse, seriamos apenas uma nova espécie de orangotangos (se é que não o somos). Talvez esteja a exagerar. Tenho destas coisas. Provavelmente, deveria era esquecer que penso e começar a telefonar aos amigos da cerveja (nem precisava de telefonar. Um deles acabou de vomitar a minha pacata casa) , de forma a saber quais são os bares da moda.

segunda-feira, Fevereiro 23, 2004

" (...) e a esquerda precisa hoje de causas "fracturantes" como o aborto, os casamentos gay, a liberalização das drogas, etc. Depois do colapso do comunismo muitas das suas velhas causas económico-sociais já não têm credibilidade."

Francisco Sarsfield Cabral, "DN"

domingo, Fevereiro 22, 2004

Coisas do eterno Carnaval

Ontem fui beber um café com um imberbe estudante de Direito (mas não é o meu amigo imberbe). Às tantas o rapaz começa a falar do presidente dos Estados Unidos. Por momentos, pensei que seria uma conversa engraçada, até porque o rapaz estuda Direito e gosta de política. Mas, quando dei por mim, já estavam três intelectualóides (incluindo ele) a fazer o funeral do homem. Sinceramente, não me choquei muito com as parolices que se iam dizendo sobre George W.Bush, já que estou habituado a este género de coisas. Mas, faz-me sempre confusão ouvir os apologistas da ONU e do Direito Internacional. Eu, calmamente, lá ia dizendo que a ONU representa a "anarquia internacional"(ao estilo de Camus), na qual cada país faz o que bem lhe entende e que teria de haver uma reforma qualquer, de forma a que essa organização internacional se adaptasse ao poder hegemónico dos Estados Unidos. Disse ainda, que os EUA poderiam vir a criar uma instituição independente da ONU se as coisas continuarem como estão. A verdade é que ninguém me ouviu. Todos falavam da "estupidez do Bush" (acho que um dos colegas relacionou Bush com um macaco) e da falta de humanismo americana. Nem me vou alongar muito com isto, nem sequer vou voltar a dar a minha opinião sobre o assunto, até porque já muito se falou sobre isto. Contudo, há coisas que nunca vão mudar. Mas, tenho esperança que esta tenha sido apenas uma piada de Carnaval e que na próxima semana eles venham falar-me de coisas sérias.

sábado, Fevereiro 21, 2004

O véu...

Devido a algumas decisões políticas controversas na França, a questão do véu veio de novo parar ao debate público.
No dia 3 de Fevereiro, Pedro Mexia (uma pessoa que eu muito admiro) escrevia no "DN": "o véu islâmico não é apenas um "sinal religioso", é também uma forma de ocultaçãoda identidade, sendo por isso um ponto problemático em termos de segurança. Assim, é perfeitamente possível ter uma atitude de recusa face ao uso do véu no Ocidente, por motivos muito diferentes dos religiosos. Além do mais, o véu, com a sua (por vezes) duvidosa dimensão voluntária, parece configurar um dos elementos de opressão das mulheres islâmicas (...)". Porém, não me interessa continuar a copiar o resto do artigo, já que não me interessa agora fazer referências às raízes violentamente irreligiosas dos franceses e ao laicismo hipérbolizado (apesar de não deixar de concordar com tudo isso).
Posso até estar coberto por um espesso véu da ignorância. Contudo, vejo esta questão para além do jacobinismo francês, visto que trata-se de uma questão que envolve toda a Europa. Vendo as coisas como elas são, quando, por exemplo, uma portuguesa ou uma inglesa se deslocam às comunidades islâmicas, têm, penso que por obrigação, de adoptar os costumes islâmicos (o que inclui o uso do véu). Isso deve-se, basicamente, ao facto de o Islão ser uma Civilização na qual Alá domina toda a sociedade (a religião mistura-se com a política, com a educação, com a família, etc.). Pelo contrário, a Civilização Ocidental é muito mais aberta, tolerante e individualista (socialismos à parte). Porém, esse individualismo não se pode aplicar em relação ao véu islâmico, isto é, se os muçulmanos prezam a sua tradição religiosa fechada, também têm de entender que o Ocidente não é o Islão. Não quero que alguém me julgue com discípulo de Le Pen, mas a verdade é que tem de haver muito mais abertura por parte dos imigrantes muçulmanos, de forma a que se possam assimilar na "nossa" sociedade (e dessa forma evitar-se-ão muitos conflitos étnicos, raciais,...). É como os comentadores desportivos dizem: trata-se de uma dualidade de critérios.

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